domingo, 4 de setembro de 2011

TGA - Atividade 1 - Resgate dos princípios da administração científica adotados pela Inteligência Militar da Alemanha, durante a IIº Grande Guerra Mundial

Antes de discorrer sobre o foco específico desta atividade, gostaria de compartilhar algumas reflexões a que me remeti enquanto lia e relia o artigo a Indústria da Morte de Celso Miranda. Primeiro cito da dificuldade que senti em conseguir abster o emocional perante o nível de crueldade frente às atrocidades cometidas. Segundo, como faço em quase todas as atividades que abordam a temas que não possuo conhecimento, acabo invariavelmente buscando algum artigo na rede que tenha alguma abordagem sobre o mesmo assunto. Realizando esta busca encontrei um artigo publicado por uma Organização de Verificação Histórica intitulado A Verdade Proibida, que contesta a partir de suas fontes declaradas, que os dados apresentados como verdades teriam sido manipulados exaltando o extermínio judaico, como de fato não teria ocorrido. Contudo, não fazendo neste momento, juízo de valor sobre a preservação da vida, nem tão pouco sobre a veracidade dos dados, quaisquer que sejam os mais próximos a realidade, e ainda desconsideradas a essência dos interesses de alemães ou judeus, podemos concluir sem leviandade que sendo comprovados 10% de mortos nos 6 milhões comumente citados, teríamos um número superior ao dobro de umas das mais recentes e maiores catástrofes naturais que foi a passagem do Tsunami de 2005. Ao concluir esta reflexão destaco que para mim a pesquisa e a publicação sobre fatos históricos nos remete a uma singela compreensão do passado e que nos permite especialmente uma percepção mais madura perante aos fatos de nosso presente e futuro. Vemos o que aprendemos e marcamos a fero e fogo fatos esdrúxulos do passado afirmando moralmente que como humanidade somos contrários. Ao mesmo tempo não aprendemos, não enxergamos ou não nos movemos frente a muitos Holocaustos atuais como a fome e segregação na África, quanto aos Autoritarismos e suas radicalidades espalhadas pelo mundo, bem como o  descaso real e a falta do sentido de urgência (Al Gore) pela preservação do meio ambiente.
A partir desde parágrafo passo de forma racional, a procurar demonstrar os princípios da administração científica utilizados pelos nazistas durante a Guerra.
Sendo bastante sintético podemos dividir o Lebensraum, ou seja, os planos de expansão territorial da Alemanha, criando um espaço de reintegração para todos os povos arianos em dois grandes momentos quanto à organização e planejamento.
No primeiro momento, em meados de 1940, a Alemanha começa a explorar a mão de obra dos prisioneiros de forma escrava em fábricas e indústrias. Um grupo químico organizado pela IG Farben, composto por empresas como Bayer, Basf, Hoechst e Agfa, negociam bons contratos com o governo o que se inicia com a produção com borrachas e combustíveis sintéticos, mas que evoluem para armamentos, munições e venenos utilizados no ciclo da Guerra. Neste momento o planejamento era focado na conquista por territórios, na mão-de-obra escrava necessária para a produção dos insumos necessários tanto para a guerra quanto para o apogeu econômico alemão. Dentro dos objetivos, os administradores viam questões como quantidades necessárias de mão-de-obra de prisioneiros/trabalhadores, infraestrutura para alimentação e alojamentos dos militares e dos presos, e nas formas de descartar pessoas que estivessem fora do perfil de triagem útil que eram homens jovens saudáveis fortes e mulheres sem filhos.
A partir de 1941 com a invasão da URSS passamos a um segundo momento onde os gestores percebem que não mais conseguiriam utilizar prisioneiros aos primeiros fins, onde foram pesados os custos e a inviabilidade de mobilização militar para mover, alojar e alimentar milhões de judeus, dando neste ponto o início de uma guerra de aniquilação. Novamente vemos durante o artigo a mão de administradores alemães buscando métodos e a melhoria de processos que conseguissem dar fim ao número cada vez maior de pessoas evoluindo de pelotões de fuzilamento de no máximo 100 mortes por vez ao extermínio de 2000 pessoas em sessões de câmara de gás. O mesmo se deu na forma de consumir com os corpos que inicialmente eram enterrados evoluindo-se aos processos de cremação coletivos. Destaco entre os dois fatos acima a preocupação das lideranças militares com seus soldados; em citação de um oficial que se manifestava tranquilizado por não haver mais fuzilamentos, que vinham abalando a moral de seu pessoal. A cremação veio consumir com os corpos sem deixar cheiros que ficavam em condições insuportáveis no verão.
As ações administrativas de organização e planejamento se mostravam claras e objetivas onde uso como exemplo as duas reuniões semanais realizadas em Auschwitz em 1942, para tratar da administração do campo, do ritmo dos obras dos novos campos de concentração, preparados para abrigar mais prisioneiros por celas, e ainda coordenar a chegadas de novas remessas de presos.  Outro exemplo da perspicácia dos gestores se dá no campo de Treblinka onde os alemães pintam e adornam com flores uma estação de trem, criando um ambiente mais alegre onde encaminhavam os prisioneiros a supostos chuveiros para que as pessoas se higienizassem para começar a trabalhar para os alemães, sendo tudo um embuste que fazia com que as pessoas fossem conduzidas tranquilamente a morte desconhecida. Processo calmo que facilitava recolher as roupas que posteriormente eram aproveitadas.
Ao concluir esta atividade ratifico que nestes últimos parágrafos discorri somente pela visão da Administração onde concordo com Celso Miranda em suas palavras que o que vimos é “do ponto de vista puramente logístico, um grande esforço de organização, planejamento minucioso e disciplina”.

Postado no Ambiente Virtual do Aluno da UFSC e publicado neste Blog.


Comentário e avaliação postados pelo Ambiente Virtual do Aluno - UFSC/Administração pela Tutora Mayana dos Anjos

Muito bem Marcio,

Para contribuir com seu aprendizado envio conteúdo produzido pelo colega Tutor Henrique, que servirá ainda mais para elucidar esta questão: “Enfatizo o que foi pedido:"Com base no texto "A indústria da morte" e, com apoio do filme Fordismo e Taylorismo, disponíveis na plataforma de aprendizagem resgate princípios da administração científica adotados pela Inteligência Militar da Alemanha, durante a IIº Grande Guerra Mundial". Reforçando, era só clicar em cima do que estava em azul (sublinhado). Repasso, como contribuição, feedback à atividade proposta: Mal comparando com o Fordismo, o nazismo trabalhou com uma linha de produção bem definida, cujo objetivo final foi o extermínio de milhões de inocentes. Faria (2011) pontua que os quatro princípios fundamentais da administração científica são os seguintes: • Princípio de planejamento – substituição de métodos empíricos por procedimentos científicos – sai de cena o improviso e o julgamento individual, o trabalho deve ser planejado e testado, seus movimentos decompostos a fim de reduzir e racionalizar sua execução. • Princípio de preparo dos trabalhadores – selecionar os operários de acordo com as suas aptidões e então prepará-los e treiná-los para produzirem mais e melhor, de acordo com o método planejado para que atinjam a meta estabelecida. • Princípio de controle – controlar o desenvolvimento do trabalho para se certificar de que está sendo realizado de acordo com a metodologia estabelecida e dentro da meta. • Princípio da execução – distribuir as atribuições e responsabilidades para que o trabalho seja o mais disciplinado possível. Segundo consta nos slides de aula “Vídeo 2”, dentre as principais contribuições de Taylor citam-se: atribuir tarefas específicas para cada grupo de trabalhadores; métodos científicos de execução do trabalho – tarefas, tempos e movimentos, dentre outros. No texto “Retrospectivas das Teorias da Administração” (item 8 – Biblioteca Virtual), visualizamos que, durante o chamado primeiro período de Taylor, a grande preocupação era com as técnicas de racionalização do trabalho através dos Estudos de Tempos e Movimentos. Com o advento do livro “Princípios de Administração Científica”, a racionalização do trabalho deveria ser acompanhada de uma estruturação geral da organização. Então, no segundo período ou “Sistema de Taylor”, encontramos principalmente a importância da especialização; a “proibição” da improvisação, que deve ceder lugar ao planejamento; a padronização; a máxima eficiência; funcionamento da organização formal. Os horrores de Auschwitz são máculas que jamais serão esquecidas pela humanidade. Mas muitos dos procedimentos foram feitos baseados nos princípios de Taylor. No final do artigo, encontramos o papel que os principais “personagens” exerciam na política nazista de Hitler. O que Rudolf Hoss, Heinrich Himmler, Karl Fritzch, Josef Mengele, dentre outros tantos “servidores da SS” faziam nada mais era do que a aplicação prática da divisão dos trabalhos e responsabilidades, ou seja, cada um tinha seu papel pré-determinado na engrenagem da organização. O princípio de preparo dos trabalhadores podia ver visto com o denominado sonderkommando (“comando especial”, em português), o grupo de prisioneiros, judeus ou não, que ajudavam os alemães na operação dos assassinatos. Tanto é que quando se rebelaram, não foram todos mortos logo no primeiro momento “porque havia 4 000 cadáveres para serem queimados” e somente esses trabalhadores tinham a “aptidão” para isso. O princípio do planejamento encontra-se permeado durante toda a descrição do artigo quando se infere que não existia espaço para o improviso. Exemplos disso são a aplicação de gases tóxicos e altamente letais para aniquilar rapidamente todos os prisioneiros “impuros”, na prática absurda do anti-semitismo. A logística da máquina nazista funcionava de maneira perversamente organizada para produzir os resultados almejados por seus líderes. Desvirtuando outro pensamento de Taylor, a máxima eficiência foi buscada com ímpeto até como forma prática da racionalização dos trabalhos. Vide o exemplo do desafio logístico de livrar-se de tantos corpos. Pois encontraram um método de cremação único e muito eficiente, que realizava o trabalho almejado pelos nazistas de maneira científica, deixando o método empírico em segundo plano. Reitero que os princípios e aplicações práticas mencionadas foram uma distorção total do que efetivamente foi apregoado na Administração Científica. O papel de Taylor foi decisivo e serviu de “pedra fundamental” para a transformação da Administração como ciência aplicada. Vide o exemplo que consta no texto “100 anos de Gestão”, na Biblioteca Virtual da disciplina. A denominada mais-valia induz a um esquema de cooperação entre patrão e trabalhadores, em que a ideia é acelerar simultaneamente os ganhos de um e benefícios do outro. Claramente, não foi nem de longe o que ocorreu em Auschwitz. Referência: FARIA, Caroline. Administração Científica. Disponível em:http://www.infoescola.com/administracao_/administracao-cientifica. Acesso em: 05 set. 2011.” Bons estudos, Mayana

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